Se para se atingir o 9º ano de escolaridade já se formularam um cem número de reformas facilitadoras, estou certo que estas reformas se estenderão, agora, até ao 12º ano.
Assim, surge um novo problema, que é deixar de haver um ensino secundário - pois passa todo a ser ensino básico -, e tal facto faz com que deixe de existir um patamar preparatório e com maior grau de exigência para aqueles que, eventualmente, queiram seguir a via do ensino superior.
Se a este facto juntarmos as medidas legislativas que abriram as portas do ensino superior a maiores de 23 anos, ainda que sem o 12º anos completo, e mediante uma ligeira prova de selecção, então poderei afirmar que as universidades do nosso país estão em risco. Sim, em risco! Um novo risco, a somar ao erro que foi a transposição do Processo de Bolonha para as Universidades portuguesas, possibilitando que meros 3 anos de frequência (com aproveitamento) de um curso numa Universidade, sejam suficientes para garantir uma licenciatura. Serão suficientes para garantir um emprego qualificado? Não creio.
As medidas que têm sido tomadas no ensino em geral, visam meramente questões estatísticas e de poupança de dinheiros públicos. Isso, numa área crucial para qualquer sociedade que ambicione o desenvolvimento e crescimento, tanto a nível económico como do seu capital humano.
Por vezes, os discurso dos políticos para justificar enormes gastos em grandes obras no presente, vão no sentido de alertar para a importância futura destes investimentos, mas no que toca à educação, preferem poupar hoje, hipotecando o futuro dos nossos jovens e, claro, do país onde estes vão crescer e trabalhar.
Um país não passa a ser viável, a ter uma melhor qualidade de vida, um PIB superior e uma menor dívida externa, somente porque tem um maior número de licenciados, mestres ou doutores Veja-se Cuba, ou qualquer país com passado comunista!. Um país; o nosso país, necessita de ter boas bases, antes de se aventurar numa demanda despropositada de competir a nível estatístico com outros parceiros europeus. De que vale ter certas estatísticas a ombrear com estes, se noutros campos ficamos a milhas de distância?
Não basta querer, é preciso ser capaz de pôr em prática os desejos. Eu prefiro um ensino que capacite as crianças e jovens de hoje para os desafios do futuro, em lugar de os empurra no imediato para os desafios do presente.
Pergunto eu: onde estão os empregos para todos os mestres e licenciados que saem todos os anos das nossas universidades? Qual a adequação das Universidades às necessidades do presente?
Penso que está na hora - já vai tarde, mas…- do Ministério que tutela o ensino superior, iniciar uma prática que imponha limites ao número de vagas em certos cursos cujo mercado de trabalho se encontra saturado, ao mesmo tempo que, com base em estudos e análises das necessidades de emprego em determinadas áreas, premeie as universidades que abram cursos que vão de encontro a essas necessidades e exigências laborais do presente e do futuro.
Se o caminho não for este, se as Universidades - por via dos escassos apoios económicos do Estado - só estiverem preocupadas com a sua viabilidade económica, teremos gente com formação superior a trabalhar em actividades cujo 9º ano seria suficiente, ao mesmo tempo que sentiremos falta de bons profissionais em áreas mais especializadas. E, mesmo aqueles que obtiverem o canudo, terão menos competências dos que as desejadas.
Que não se “vendam” sonhos impossíveis de concretizar. A utopia não passa disso mesmo...
















